Carrinho 0
 

Lembra quando o futuro era um lugar mágico, povoado por carros voadores e robôs que preparavam seu café da manhã? Talvez não. Talvez você tenha nascido nas últimas décadasquando a nossa imagem do futuro já estava mais para uma realidade distópica, estilo Blade Runner, que para a alegria colorida e esperançosa dos Jetsons. A verdade é que o futuro não é mais o que costumava ser.

O presente, futuro do nosso passado, é um tempo aterrorizante e maravilhoso. Nunca estivemos tão conectados. Ou tão sozinhos. O fim está próximo e, se não mudarmos nosso curso, é bem provável que chegaremos onde estamos indo.

Para ter esperança, todas as ações, grandes ou pequenas, contam. Acreditamos que os lugares mais incríveis da cidade devem ser para as pessoas, e não para os carros. Que um bom café deve celebrar as mãos de quem o colheu e plantou. Que comida boa pode e deve vir cada vez mais de uma planta, e não de uma fábrica. Que tudo bem comer um pouco de bacon no fim de semana. Que pão de verdade é feito com tempo, suor, farinha, água e sal. E que a melhor maneira de adivinhar o futuro é criá-lo.

 

 

bocejo.gif
 

Hanny Guimarães é uma mulher que vive com farinha grudada no cotovelo, os óculos delicados pra sempre cobertos por uma película fininha de pó branco. Ela canta Stereolab cortando os triângulos de croissant e tem mais energia que muitas pessoas juntas. Ela diz que pão é só pão, não é nada de outro mundo, mas o pão que ela faz é prova concreta do contrário. Em uma outra vida, ela foi jornalista, trabalhou num hospital e numa creche, botando criancinhas para dormir. Depois de uma temporada na Austrália, para a sorte de todos nós, decidiu que gostava de acordar às três da manhã para enfiar as mãos na massa grudenta e transformá-la numa das coisas mais incríveis de comer nessa vida.

 

 

cafe-2.gif
 

Pense numa pessoa que sabe ler o seu mapa astral, interpretando todos aqueles símbolos crípticos e obscuros com sensibilidade e agudez.  Agora pense que essa mesma mulher decifra gráficos de perfis de torra e diagramas de notas sensoriais do café com a mesma placidez e simplicidade. O que uma coisa tem a ver com a outra? Não sabemos. Pode ser que Natalia Ramos seja nossa guia e exploradora, no universo do café e das estrelas. Uma boa torra e um bom café emocionam essa moça que gosta de andar descalça pela casa. Mas, mais do que isso, trabalhar com os produtores, ouvir suas histórias, entender o quão difícil é sua labuta, o quanto significa para eles ter alguém do outro lado da xícara. 

 

_DSF8445.jpg
 

 

_GUI9803 2.jpg
 

Gabriela e Karina são irmãs e tiveram uma infância idílica, cercadas de frutas e matos, mel e leite cru, café moído na hora, águas douradas de uma lagoa e palestras paternais sobre botânica. Tudo isso teria um fim quase trágico e, quem sabe, por isso mesmo, elas tenham seguido suas vidas tentando recriar de alguma forma o éden perdido. Gabriela aprendeu a cozinhar depois de sucumbir ao tédio da vida acadêmica de um curso de letras. Karina descobriu que gostava de cuidar de pessoas mesmo depois de produzir casamentos para muitas noivas histéricas.

Elas não queriam mudar o mundo. Queriam um lugar com uma luz sensacional, com boa comida, café-delícia e ótima música.

Elas queriam trabalhar juntas e plantar matos que cresceriam loucamente em algum canto do restaurante. Ah, bom, e talvez mudar um pouquinho o mundo.

futuro refeitório_breakfast sandwich [ovo na chapa, bacon da casa, queijo, maionese9_gui galembeck 3.jpg